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Como precificar serviços de beleza sem trabalhar de graça

Custo por hora, tempo real de cadeira e margem: o método para chegar num preço que fecha a conta.

3 min de leitura

A forma mais comum de definir preço na beleza é olhar o que o salão da esquina cobra e chegar perto. Isso não é precificação, é cópia de um número que talvez esteja errado na origem — e que certamente foi calculado para outra estrutura de custo.

Precificar é responder uma pergunta só: quanto custa uma hora da sua cadeira?

Passo 1 — some o custo fixo mensal

Aluguel, contador, energia, água, internet, sistema, salários, impostos fixos. Tudo que você paga mesmo se não atender ninguém.

Passo 2 — descubra quantas horas você realmente vende

Este é o passo que quase todo mundo erra. Se você abre 8 horas por dia, 26 dias por mês, não são 208 horas vendáveis. Tire almoço, intervalos, tempo de limpeza entre atendimentos e a ociosidade real da sua agenda.

Uma ocupação de 70% já é boa. Com ela, 208 horas de porta aberta viram cerca de 145 horas efetivamente vendidas.

Passo 3 — calcule o custo da hora

custo fixo ÷ horas vendáveis. Se o custo fixo é R$ 7.000 e você vende 145 horas, cada hora de cadeira custa cerca de R$ 48 antes de qualquer produto.

Passo 4 — some o custo variável do serviço

Produto usado naquele atendimento, comissão do profissional e taxa da maquininha. A taxa é a mais esquecida: ela come de 1% a 5% do valor e incide sobre o preço final, não sobre o lucro.

Passo 5 — aplique a margem

preço = (custo da hora × tempo do serviço) + custo variável + margem.

Um serviço de 45 minutos com custo de hora de R$ 48 já nasce em R$ 36 de custo fixo. Some R$ 8 de produto e comissão e você está em R$ 44 de custo. Cobrar R$ 50 significa trabalhar por uma margem de R$ 6 — e é assim que muita gente descobre que estava pagando para atender.

O tempo do serviço é o tempo da cadeira

Conte o bloco inteiro: preparo, execução e limpeza. Uma coloração que leva 2h30 de execução mas ocupa 3h de cadeira precisa ser precificada por 3h.

É por isso que cadastrar a duração certa de cada serviço — com tempo de preparo e de limpeza separados — não é detalhe de sistema: é o dado que sustenta o seu preço.

Preço diferente por dia da semana

Terça de manhã e sábado à tarde não valem a mesma coisa. Cobrar um pouco menos no horário ocioso enche o dia fraco sem desvalorizar o serviço no dia cheio, porque o cliente entende a troca: ele paga menos porque veio quando você tinha vaga.

No Um horário o preço por dia da semana aparece no próprio calendário, então a pessoa escolhe já sabendo.

Quando aumentar

Agenda lotada com semanas de espera é sinal de preço abaixo do mercado. Reajuste com aviso antecedente, comunique uma vez e não peça desculpas — você está vendendo tempo, e o seu tempo acabou.

Perguntas frequentes

Devo cobrar o mesmo que o concorrente?

O preço do concorrente é informação de mercado, não base de cálculo. Se depois de fazer a conta o seu preço ficar muito acima, o problema costuma ser custo fixo ou ocupação baixa — e baixar o preço só piora. Se ficar muito abaixo, você tem espaço para subir.

Como aumentar preço sem perder cliente?

Avise com antecedência, aplique a todos ao mesmo tempo e não negocie caso a caso. Perder uma parte pequena da base para uma margem maior costuma aumentar o lucro, porque você libera horário para quem paga o novo preço.

Vale fazer pacote com desconto?

Vale quando o pacote garante recorrência e preenche horário ocioso. Não vale quando é só desconto disfarçado no horário que já estava cheio — nesse caso você trocou faturamento por nada.

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